Pular para o conteúdo

Primeiros passos

Primeiro emprego, primeiro cartão, primeiro aperto

O primeiro salário vem com o primeiro limite, e ninguém explica a diferença entre os dois. Três regras simples para quem está começando a vida financeira e não quer aprender do jeito difícil.

O primeiro salário caiu na conta na sexta. No sábado, o banco mandou a mensagem: "parabéns, seu limite de crédito foi aprovado". O limite era maior que o salário.

Ninguém disse ao Pedro, de 19 anos, que aqueles dois números não tinham nada a ver um com o outro. Um era o que ele tinha. O outro era o que o banco queria emprestar. Seis meses depois, Pedro pagava o mínimo da fatura e não sabia como tinha chegado ali.

Se você está começando, este texto é para você não precisar aprender do jeito do Pedro.

Limite não é renda

A frase mais importante deste texto cabe numa linha: o limite do cartão é um empréstimo, não uma extensão do salário.

O banco oferece um limite alto para você usar. Quando você usa e não paga a fatura inteira, a parte que falta vira rotativo, o crédito mais caro do dia a dia. Não é maldade do banco. É o modelo de negócio. A sua defesa é saber disso antes de passar o cartão.

Três regras para o começo

1. O limite é do tamanho do que você paga em um mês

Pegue o que sobra do seu salário depois das contas fixas. Esse número é o maior limite que faz sentido para você. Se o banco deu mais, ligue e peça para reduzir. Parece estranho pedir menos crédito. É uma das decisões mais inteligentes que uma pessoa de 19 anos pode tomar.

2. A fatura é paga inteira, sempre

Não existe "pagar o mínimo só este mês". O mínimo é a porta do rotativo. Se num mês a fatura não couber inteira, o sinal não é "pague o mínimo". É "pare de usar o cartão até caber de novo".

3. Uma parte do salário sai antes de tudo

No dia que o salário cair, antes de qualquer gasto, transfira uma parte para uma conta separada. Pode ser pequena. Cinquenta reais contam. O tamanho importa menos que o hábito: dinheiro que sai primeiro não é sentido depois.

A armadilha do "sem juros"

Parcelar em dez vezes sem juros parece de graça. Não é. É um pedaço do seu salário dos próximos dez meses já decidido hoje.

O problema não é uma compra parcelada. É a terceira, a quarta, a quinta, cada uma pequena, até a fatura do mês ser quase toda de parcelas de coisas que você já nem usa. Antes de parcelar, some todas as parcelas que já estão correndo. Se o total passar de uma parte pequena do que sobra no mês, espere uma acabar antes de começar outra.

Dividir o primeiro salário em três

Uma forma simples de organizar, sem planilha:

Parte O que é Quando sai
Da casa Contas fixas, transporte, comida, contribuição em casa Primeiro, no dia do pagamento
Sua O que você gasta no mês, com o que quiser Durante o mês, com teto
Guardada A parte que vai para a conta separada Antes de tudo, no dia do pagamento

O tamanho de cada parte depende da sua vida. A ordem, não.

Por que isso importa agora

Quem aprende isso aos 19 não precisa ler, aos 40, os outros textos deste blog. A diferença entre as duas vidas não é salário. É saber, desde o primeiro cartão, que limite não é renda.

Um passo possível ainda hoje

Transfira qualquer valor, hoje, para uma conta separada da sua conta principal. Dez reais servem. O que você está fazendo não é guardar dinheiro. É começar um hábito.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam sobre isso

Qual deve ser o limite do primeiro cartão de crédito?

O menor que o banco aceitar dar, e nunca maior do que você consegue pagar inteiro em um mês com o que sobra depois das contas. Limite não é renda; é empréstimo pré-aprovado. Você pode pedir ao banco para reduzir o limite a qualquer momento.

Como dividir o primeiro salário?

Uma forma simples é em três partes: o que é da casa e das contas fixas, o que é seu para gastar no mês e uma parte, mesmo pequena, que vai para uma conta separada antes de qualquer gasto. O tamanho de cada parte varia; a ordem não.

Vale a pena parcelar compras no cartão quando se está começando?

Parcelar sem juros não é de graça: é um pedaço do salário dos próximos meses já comprometido. Antes de parcelar, some todas as parcelas que já estão correndo. Se a soma passar de uma parte pequena do que sobra no mês, espere a próxima parcela acabar antes de começar outra.

Retrato de Kamylla Brito

Quem escreveu

Kamylla Brito

Sócia-fundadora da Lume Educação Financeira

Kamylla Brito é sócia-fundadora da Lume Educação Financeira. Assumiu o setor financeiro de uma empresa aos 19 anos e passou mais de doze anos em finanças corporativas, no agronegócio e no varejo, antes de dedicar-se à educação financeira. Na Lume, cuida dos conteúdos, das palestras em empresas e do quadro Finanças na Prática na Rádio União 104,9.

Sobre a Lume

A Lume Educação Financeira é uma empresa brasileira de educação financeira criada por Karollyne Brito e Kamylla Brito. Ela ensina pessoas e pequenas empresas a organizar as finanças a partir de um método simples, em três movimentos: organizar (ver o que entra, o que sai e o que se deve), estancar (parar de usar o limite e cortar o que escapa) e recomeçar (um plano com o próximo passo possível). Os materiais vêm prontos para preencher, com videoaula, e o preço é acessível. A Lume não vende investimentos, não promete enriquecimento e não faz assessoria de nenhum tipo: ela ensina.

Leia também

Continue por aqui