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Dívidas

Pagar o mínimo do cartão: o que acontece com o resto da fatura

Quando você paga só o mínimo, o restante entra no rotativo, o crédito mais caro do dia a dia. Entenda em linguagem simples o que acontece com a fatura e o que fazer já no próximo vencimento.

A fatura chegou: 1.840 reais. O valor mínimo, em destaque, é 276. Você paga os 276, respira aliviada, e segue o mês.

O que ninguém explica é o que acontece com os outros 1.564. Eles não somem. Eles vão para um lugar chamado rotativo, e lá custam caro.

Este texto é para você entender, sem economês, o que o mínimo faz com a sua fatura e o que dá para fazer já no próximo vencimento.

O que é o rotativo, em uma frase

Rotativo é o empréstimo que o banco faz para você automaticamente quando a fatura não é paga inteira. A parte que faltou vira dívida, e sobre ela correm juros até a próxima fatura.

Os juros do rotativo estão entre os mais altos que uma pessoa comum paga no Brasil. Por isso ele é a primeira coisa que a gente olha no raio-X das dívidas de quem está no aperto.

O que acontece com a fatura no mês seguinte

Vamos seguir a fatura da nossa cena:

Mês O que aconteceu Resultado
Mês 1 Fatura de 1.840. Pagou o mínimo, 276. 1.564 entram no rotativo.
Mês 2 Chegam os juros sobre os 1.564, mais as compras novas do mês. A fatura vem maior do que a do mês 1, mesmo sem comprar mais.
Mês 3 Paga o mínimo de novo. A parte no rotativo cresce. A fatura também.

Essa é a armadilha: pagar o mínimo parece resolver o mês, mas aumenta o mês seguinte. Depois de alguns ciclos, a pessoa está pagando o mínimo de uma fatura que é quase toda juros.

O que fazer no próximo vencimento

Se você consegue pagar a fatura inteira

Pague. Mesmo que fique apertado nos dias seguintes. Um mês apertado custa menos que três meses de rotativo.

Se não consegue pagar inteira

  1. Pague o máximo que der, não o mínimo. Cada real a mais que você paga é um real que não vai render juros.
  2. Procure o banco antes do vencimento e peça para parcelar o restante. Anote três números: taxa ao mês, quantidade de parcelas e valor total. Com eles você decide com a cabeça fria.
  3. Tire o cartão do bolso. Não é para sempre. É até a fatura voltar a ser paga inteira. Apague o cartão dos aplicativos de compra e deixe em casa.

Por que a gente fala de "estancar" antes de "negociar"

Muita gente quer negociar a dívida do cartão enquanto continua comprando no mesmo cartão. Não funciona. A dívida nova entra pela mesma porta que a antiga está saindo.

Por isso, no método Lume, estancar vem antes. Primeiro você para de criar dívida nova: cartão no débito, limite guardado. Depois você negocia a dívida antiga, com data para acabar. Nessa ordem, a negociação funciona. Na ordem inversa, ela só adia.

O que fazer com o cartão depois

Quando a fatura voltar a ser paga inteira, o cartão pode voltar, com duas regras simples:

  • Limite do tamanho do que você consegue pagar em um mês. Peça ao banco para reduzir. Limite grande não é prêmio, é risco.
  • Fatura paga no dia, inteira, sempre. Se um mês isso não for possível, é o sinal para parar de novo antes de o rotativo começar.

Um passo possível ainda hoje

Pegue a última fatura e marque com caneta todas as compras que você não lembra de ter feito ou que foram parceladas. Some. Esse número é o começo da sua lista do que sai. Amanhã, com ele na mão, você decide o que entra na próxima fatura.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam sobre isso

O que é o rotativo do cartão de crédito?

É o crédito que o banco usa para cobrir a parte da fatura que você não pagou. Quando você paga só o mínimo, o restante vira rotativo e passa a render juros altos até a próxima fatura. No Brasil, o banco deve oferecer um parcelamento com juros menores depois de um período no rotativo; mesmo assim, o caminho mais barato é não entrar nele.

É melhor pagar o mínimo ou atrasar a fatura?

Nenhum dos dois é bom, mas atrasar costuma ser pior: além dos juros, entram multa, encargos de atraso e o risco de o nome ser negativado. Se não der para pagar tudo, pague o máximo que conseguir até o vencimento e procure o banco para parcelar o restante com juros menores que os do rotativo.

Parcelar a fatura vale a pena?

Quase sempre é melhor do que ficar no rotativo, porque a taxa do parcelamento costuma ser menor e a dívida ganha data para acabar. Antes de aceitar, anote a taxa ao mês, o número de parcelas e o total, e confira se a parcela cabe no que sobra depois das contas fixas.

Devo cancelar o cartão?

Não precisa cancelar, mas precisa tirar do bolso enquanto estiver no rotativo. Deixe em casa, apague dos aplicativos de compra e passe a usar débito ou dinheiro até a fatura voltar a ser paga inteira.

Retrato de Karollyne Brito

Quem escreveu

Karollyne Brito

Sócia-fundadora da Lume Educação Financeira

Karollyne Brito é sócia-fundadora da Lume Educação Financeira. Há mais de dez anos trabalha com crédito, risco e organização financeira de famílias e empresas. Na Lume, cuida do método e dos materiais práticos: a planilha, o guia e as videoaulas. Apresenta, com Kamylla, o quadro Finanças na Prática na Rádio União 104,9.

Sobre a Lume

A Lume Educação Financeira é uma empresa brasileira de educação financeira criada por Karollyne Brito e Kamylla Brito. Ela ensina pessoas e pequenas empresas a organizar as finanças a partir de um método simples, em três movimentos: organizar (ver o que entra, o que sai e o que se deve), estancar (parar de usar o limite e cortar o que escapa) e recomeçar (um plano com o próximo passo possível). Os materiais vêm prontos para preencher, com videoaula, e o preço é acessível. A Lume não vende investimentos, não promete enriquecimento e não faz assessoria de nenhum tipo: ela ensina.

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