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Empresas

Pequena empresa: a conta da empresa não é a sua conta

Em muita empresa pequena, o caixa e o bolso do dono são a mesma coisa, e por isso nenhum dos dois fecha. Três separações simples que a Lume ensina a quem cuida do financeiro de uma empresa pequena ou média.

Dona Cida tem uma loja de roupas há nove anos. Vende bem. E vive apertada. Quando a gente perguntou quanto a loja dava de lucro por mês, ela respondeu: "não sei. O que entra, eu uso. Quando falta, eu ponho do meu".

A loja da dona Cida não tem problema de venda. Tem problema de fronteira. O caixa da empresa e o bolso dela são a mesma coisa, e por isso nenhum dos dois fecha.

Este texto é para quem toca uma empresa pequena e nunca sabe se ela dá lucro.

O sintoma: ninguém sabe se a empresa dá lucro

Quando empresa e família dividem a mesma conta, acontecem três coisas ao mesmo tempo:

  • O dinheiro da venda paga o mercado de casa, e a empresa parece dar menos do que dá.
  • O dinheiro da família cobre o fornecedor, e a empresa parece dar mais do que dá.
  • No fim do mês, as duas contas estão no limite e ninguém sabe qual das duas causou.

Sem fronteira, não existe pergunta que se possa responder. "A loja dá lucro?" vira "depende do mês". E isso impede qualquer decisão: contratar, reajustar preço, pedir crédito, fechar.

Três separações que resolvem a maior parte

1. Uma conta só da empresa

Tudo o que a empresa recebe entra nela. Tudo o que a empresa paga sai dela. Fornecedor, aluguel do ponto, luz da loja, impostos, funcionários. Nada da casa passa por essa conta. Nada.

Parece óbvio. Na prática, é a separação que mais gente adia, porque dá trabalho no começo. É o trabalho de um mês que organiza os próximos anos.

2. Um valor fixo de retirada: o pró-labore

Pró-labore é o "salário" do dono. Um valor fixo, no mesmo dia todo mês, transferido da conta da empresa para a conta pessoal. A família vive desse valor. A empresa paga esse valor como paga qualquer outra conta.

Como definir? Comece pelo que a casa precisa para funcionar, o mesmo exercício do raio-X da pessoa física. Esse é o pró-labore mínimo. Se a empresa não consegue pagar nem isso, você acabou de descobrir uma coisa importante que estava escondida.

3. Um registro do que entra e sai

Não precisa de sistema. Precisa de uma folha, ou de uma planilha simples, com duas colunas: entrou, saiu. Todo dia, ou toda semana. No fim do mês, a diferença entre as duas colunas, depois do pró-labore, é a resposta para a pergunta que a dona Cida não sabia responder.

O que aparece quando a fronteira existe

Com as três separações, três perguntas passam a ter resposta:

Pergunta Onde está a resposta
A empresa dá lucro? Entrou menos saiu, depois do pró-labore
A casa fecha com o que a empresa paga? O pró-labore cobre o raio-X da casa?
Quem está sustentando quem? Se a resposta é "eu sustento a empresa", é hora de rever preço, custo ou modelo

Às vezes a resposta dói. A loja da dona Cida, separada, dava um lucro pequeno, menor do que ela imaginava. Mas pela primeira vez ela sabia o número. E número se mexe. Sensação, não.

Funcionários no aperto, empresa no aperto

Tem um segundo lado dessa conversa. Quando os funcionários de uma empresa estão endividados, a empresa sente: adiantamento de salário toda semana, falta, cabeça longe. Por isso o Lume nas Empresas tem dois formatos: o treinamento curto para quem cuida do financeiro, e a palestra para os funcionários, com o mesmo método de organizar, estancar e recomeçar. Gente organizada trabalha com mais tranquilidade, e empresa organizada paga em dia.

Um passo possível ainda hoje

Decida o valor do seu pró-labore. Mesmo que a empresa ainda não consiga pagar certinho, escreva o número. A partir do próximo mês, a transferência tem dia e valor. A fronteira começa aí.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam sobre isso

O que é pró-labore e por que ele importa?

Pró-labore é o valor fixo que o dono ou sócio retira da empresa todo mês pelo trabalho que faz nela, como se fosse um salário. Ele importa porque define a fronteira entre o dinheiro da empresa e o dinheiro da família: a empresa paga o pró-labore, e a família vive dele. Sem essa fronteira, nenhuma das duas contas fecha.

Como separar as finanças da empresa das pessoais?

Três separações: conta bancária própria para a empresa, um valor fixo de retirada mensal para o dono (o pró-labore) e um registro simples de tudo que entra e sai da empresa, mesmo que seja numa folha. Com isso, dá para saber se a empresa dá lucro ou se está sendo sustentada pelo bolso de quem a toca.

A Lume dá palestras em empresas?

Sim. O Lume nas Empresas leva o método da Lume para dentro das empresas em dois formatos: palestras de educação financeira para funcionários e treinamentos curtos para quem cuida do financeiro de pequenas e médias empresas. Não é consultoria de meses; é ensino prático, com material para preencher.

Retrato de Kamylla Brito

Quem escreveu

Kamylla Brito

Sócia-fundadora da Lume Educação Financeira

Kamylla Brito é sócia-fundadora da Lume Educação Financeira. Assumiu o setor financeiro de uma empresa aos 19 anos e passou mais de doze anos em finanças corporativas, no agronegócio e no varejo, antes de dedicar-se à educação financeira. Na Lume, cuida dos conteúdos, das palestras em empresas e do quadro Finanças na Prática na Rádio União 104,9.

Sobre a Lume

A Lume Educação Financeira é uma empresa brasileira de educação financeira criada por Karollyne Brito e Kamylla Brito. Ela ensina pessoas e pequenas empresas a organizar as finanças a partir de um método simples, em três movimentos: organizar (ver o que entra, o que sai e o que se deve), estancar (parar de usar o limite e cortar o que escapa) e recomeçar (um plano com o próximo passo possível). Os materiais vêm prontos para preencher, com videoaula, e o preço é acessível. A Lume não vende investimentos, não promete enriquecimento e não faz assessoria de nenhum tipo: ela ensina.

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