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Dívidas

Como se preparar para negociar uma dívida sabendo o que você pode pagar

Negociar sem saber quanto cabe no seu mês é como entrar numa loja sem carteira. Quatro números para levar à conversa com o credor, e as perguntas que você precisa fazer antes de aceitar qualquer proposta.

Seu João recebeu a ligação do banco numa terça. Proposta: a dívida de 8.000 do cartão, parcelada em 24 vezes de 520. "É uma boa condição, senhor João, posso confirmar?" Ele confirmou. No mês seguinte, descobriu que 520 era exatamente o que sobrava depois do aluguel e do mercado. Não sobrou para a luz.

Seu João não negociou. Ele aceitou. E a diferença entre uma coisa e outra são quatro números que ele não tinha na mão.

Este texto é para você chegar à próxima conversa com esses números.

Os quatro números que você leva

1. Quanto deve hoje, nessa dívida

O saldo atualizado, não o valor da compra original. Está no aplicativo ou você pergunta ao credor. Sem esse número, qualquer "desconto" é impossível de avaliar.

2. A taxa de juros ao mês dessa dívida

É o que faz a dívida crescer. Se você vai trocar uma dívida por um parcelamento, a taxa do parcelamento precisa ser menor que a atual. Senão, não é acordo, é troca de nome.

3. Quanto sobra no seu mês

Aqui está o número que seu João não tinha. Some o que entra. Subtraia o que mantém a casa de pé: moradia, água, luz, gás, comida, transporte, remédio. O que sobrar é o seu teto para qualquer parcela. Não é o que você gostaria que sobrasse. É o que sobra.

Se a parcela proposta for maior que esse número, a resposta é não, por melhor que pareça.

4. Qual é a dívida mais cara da sua lista

Se você tem mais de uma dívida, a negociação começa pela de juros mais altos. É ela que mais come o seu mês. O raio-X das dívidas mostra isso numa folha.

As perguntas que você faz antes de aceitar

Quando o credor apresentar a proposta, você não responde. Você pergunta. E anota:

  1. Qual é o valor total atualizado da dívida?
  2. Qual é a taxa de juros ao mês desse parcelamento?
  3. Quantas parcelas e de quanto?
  4. Quanto eu vou ter pago no total, no fim?
  5. Tem desconto se eu pagar à vista? De quanto?
  6. O acordo vem por escrito, com esses números?

Se a pessoa do outro lado não souber responder a 2 e a 4, peça para enviar por escrito e desligue. Ninguém decide uma dívida de dois anos numa ligação de cinco minutos.

À vista ou parcelado?

À vista costuma ter desconto maior, porque o credor recebe tudo de uma vez. Mas só vale se o dinheiro existir sem criar outra dívida. Pagar um desconto à vista com o cheque especial é trocar uma dívida cara por outra mais cara.

Se o dinheiro não existe, uma parcela que cabe no número 3 e tem data para acabar é melhor do que qualquer desconto.

Você pode fazer a proposta primeiro

Pouca gente sabe disso: você não precisa esperar a proposta do credor. Com os quatro números na mão, você pode ligar e dizer: "consigo pagar X por mês, a partir de tal dia. O que vocês conseguem fazer com isso?"

Essa frase muda a conversa. Você deixa de ser quem aceita e passa a ser quem propõe. E X é um número que você sabe que cabe, porque você fez a conta.

O que a Lume faz e o que não faz

A gente ensina você a chegar nessa conversa preparada. A gente não liga para o banco no seu lugar nem analisa contrato. Se a sua dívida tiver alguma coisa que pareça errada no contrato, isso pede um profissional da sua confiança. O que a gente garante é que você vai sentar na conversa sabendo o que pode pagar. E isso, sozinho, já muda o resultado.

Um passo possível ainda hoje

Escolha a dívida mais cara da sua lista. Mande uma mensagem ou ligue com uma pergunta só: "qual é o saldo devedor atualizado e a taxa de juros ao mês?". Não negocie hoje. Só pergunte. Amanhã, com a resposta e o seu número 3, você decide.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam sobre isso

O que preciso saber antes de negociar uma dívida?

Quatro números: quanto deve hoje, a taxa de juros ao mês dessa dívida, quanto sobra no seu mês depois das contas da casa e qual é a dívida mais cara da sua lista. Com eles, você sabe o que pode oferecer e consegue comparar a proposta do credor com a sua realidade.

É melhor negociar à vista ou parcelado?

À vista, os descontos costumam ser maiores, porque o credor recebe tudo de uma vez. Mas só vale se o dinheiro existir sem criar outra dívida. Se não existir, uma parcela que cabe no que sobra e tem data para acabar é melhor do que um desconto à vista pago com o cheque especial.

O que perguntar ao credor numa negociação?

Qual é o valor total atualizado, qual é a taxa de juros ao mês da proposta, quantas parcelas, qual o valor total pago ao final, se há desconto para pagamento à vista e se o acordo vem por escrito. Anote as respostas antes de decidir.

A Lume negocia dívidas pelas pessoas?

Não. A Lume ensina a pessoa a organizar as contas, entender o que deve e chegar à negociação sabendo o que pode pagar. Se a situação pedir a análise de um contrato específico, procure um profissional da sua confiança.

Retrato de Kamylla Brito

Quem escreveu

Kamylla Brito

Sócia-fundadora da Lume Educação Financeira

Kamylla Brito é sócia-fundadora da Lume Educação Financeira. Assumiu o setor financeiro de uma empresa aos 19 anos e passou mais de doze anos em finanças corporativas, no agronegócio e no varejo, antes de dedicar-se à educação financeira. Na Lume, cuida dos conteúdos, das palestras em empresas e do quadro Finanças na Prática na Rádio União 104,9.

Sobre a Lume

A Lume Educação Financeira é uma empresa brasileira de educação financeira criada por Karollyne Brito e Kamylla Brito. Ela ensina pessoas e pequenas empresas a organizar as finanças a partir de um método simples, em três movimentos: organizar (ver o que entra, o que sai e o que se deve), estancar (parar de usar o limite e cortar o que escapa) e recomeçar (um plano com o próximo passo possível). Os materiais vêm prontos para preencher, com videoaula, e o preço é acessível. A Lume não vende investimentos, não promete enriquecimento e não faz assessoria de nenhum tipo: ela ensina.

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