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Dívidas

Várias contas atrasadas e pouco dinheiro: em que ordem pagar

Quando o dinheiro não cobre tudo, a ordem importa mais que o valor. Um critério simples, em quatro camadas, para decidir o que pagar primeiro sem deixar a casa parar.

Fim do mês. Na mesa, cinco boletos e um salário que paga três. Cada um deles parece o mais urgente, e a cabeça faz o que faz quando tudo é urgente: trava.

A gente vê isso toda semana. E a resposta que a gente dá é sempre a mesma: quando o dinheiro não dá para tudo, a ordem importa mais que o valor. Quem paga na ordem certa atravessa o mês. Quem paga na ordem do medo paga duas vezes.

O critério em quatro camadas

Pense nas contas em camadas. Você paga a camada de cima inteira antes de descer para a seguinte. Se o dinheiro acabar no meio, você sabe exatamente onde parou e o que conversar.

Camada 1: o que mantém a casa de pé

Moradia (aluguel ou prestação), água, luz, gás, comida do mês e remédio de uso contínuo. Transporte para trabalhar entra aqui também.

Essas contas têm juros baixos, mas consequência alta: corte, taxa para religar, despejo. Elas vêm primeiro, sempre, mesmo que o banco ligue três vezes por dia.

Camada 2: o que cresce rápido parado

Rotativo do cartão e cheque especial. São as dívidas que mais crescem a cada dia que passam sem pagamento. Depois da casa, é aqui que cada real rende mais, porque cada real pago para de gerar juros altos.

Se não der para pagar tudo, pague o máximo possível e procure o banco para transformar o resto numa parcela com juros menores.

Camada 3: as dívidas com data para acabar

Empréstimo pessoal, financiamento, consignado, carnê de loja. Têm juros menores e parcela fixa. Atrasar gera multa e pode negativar, então não é para abandonar. Mas, se for preciso escolher entre esta camada e a de cima, a de cima vem primeiro.

Se uma parcela desta camada vai atrasar, avise antes. Uma mensagem para o credor dizendo "vou atrasar dez dias" muda o tom da conversa e às vezes evita a multa.

Camada 4: o que pode esperar uma conversa

Dívidas com parentes e amigos, e contas que já estão muito atrasadas e paradas há tempo. Elas não devem ser esquecidas, mas podem esperar uma combinação honesta: "consigo pagar a partir de março, cinquenta por mês".

Dois erros que custam caro

Pagar quem grita mais alto. O credor que liga todo dia não é necessariamente o que precisa ser pago primeiro. O critério é a camada, não o barulho.

Fazer empréstimo novo sem olhar a taxa. Trocar rotativo por um empréstimo mais barato pode fazer sentido. Trocar uma dívida barata por uma mais cara, só porque o dinheiro chega rápido, afunda. Antes de qualquer empréstimo, faça o raio-X das dívidas e compare as taxas.

E quando nem a camada 1 fecha?

Acontece, e não é vergonha. Quando o salário não cobre nem o básico, o problema não se resolve com ordem de pagamento: precisa de renda extra, corte profundo ou ajuda. Aí o passo é outro: sentar com a família, abrir os números e decidir juntos. A gente tem um texto só sobre essa conversa.

Um passo possível ainda hoje

Separe os boletos em quatro montes. Pague o que der do primeiro monte hoje. Para o segundo, mande uma mensagem ao banco perguntando como parcelar. Os outros dois montes, você olha amanhã. Hoje a casa ficou de pé, e isso já é o mês ganho.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam sobre isso

Qual conta pagar primeiro quando o dinheiro não dá para tudo?

Primeiro o que mantém a casa funcionando: moradia, água, luz, gás, comida e remédio de uso contínuo. Depois o que acumula multa e juros altos rapidamente, como rotativo e cheque especial. Depois as dívidas com juros menores. Por último, o que pode esperar uma conversa, como dívidas com parentes.

Devo pagar a dívida maior ou a mais cara primeiro?

Depois de garantir a casa, a mais cara em juros, mesmo que seja menor. É ela que cresce mais rápido parada. Uma dívida grande com juros baixos pode esperar mais do que uma pequena com juros altos.

O que acontece se eu deixar uma conta de consumo atrasar?

Água, luz e gás podem ser cortados depois de um prazo e de aviso, e religar custa taxa. Por isso elas ficam na primeira camada: são baratas em juros, mas caras em consequência.

Vale a pena fazer um empréstimo para pagar as contas atrasadas?

Só se a taxa do empréstimo for claramente menor que a das dívidas que ele vai quitar e a parcela couber no que sobra depois das contas fixas. Trocar rotativo por um empréstimo mais barato pode fazer sentido; trocar uma dívida barata por uma mais cara, não. Faça o raio-X antes de decidir.

Retrato de Kamylla Brito

Quem escreveu

Kamylla Brito

Sócia-fundadora da Lume Educação Financeira

Kamylla Brito é sócia-fundadora da Lume Educação Financeira. Assumiu o setor financeiro de uma empresa aos 19 anos e passou mais de doze anos em finanças corporativas, no agronegócio e no varejo, antes de dedicar-se à educação financeira. Na Lume, cuida dos conteúdos, das palestras em empresas e do quadro Finanças na Prática na Rádio União 104,9.

Sobre a Lume

A Lume Educação Financeira é uma empresa brasileira de educação financeira criada por Karollyne Brito e Kamylla Brito. Ela ensina pessoas e pequenas empresas a organizar as finanças a partir de um método simples, em três movimentos: organizar (ver o que entra, o que sai e o que se deve), estancar (parar de usar o limite e cortar o que escapa) e recomeçar (um plano com o próximo passo possível). Os materiais vêm prontos para preencher, com videoaula, e o preço é acessível. A Lume não vende investimentos, não promete enriquecimento e não faz assessoria de nenhum tipo: ela ensina.

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