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Orçamento

O salário acaba no dia 20: como fazer o mês caber na semana

Para quem recebe uma vez por mês e chega ao dia 20 sem nada, o problema não é o valor: é o ritmo. Um jeito simples de dividir o salário em semanas e saber, toda segunda-feira, quanto pode gastar.

Seu Antônio é servidor público há 22 anos. Salário fixo, dia certo, sem surpresa. E mesmo assim, todo dia 20, a conta está no limite. "Não sei para onde vai", ele diz. "Não compro nada de mais."

Ele está certo. O problema do seu Antônio não é o que ele compra. É o ritmo. O salário chega de uma vez e vai embora aos poucos, e ninguém enxerga o "aos poucos".

Este texto é sobre trocar o mês pela semana.

Por que o mês é difícil de enxergar

Trinta dias é tempo demais para a cabeça controlar. No dia 5, com o salário inteiro na conta, qualquer gasto parece pequeno. No dia 18, a sobra que era para durar até o 5 seguinte já virou mercado, farmácia, lanche e três compras que ninguém lembra.

A semana, não. A semana cabe na cabeça. Sete dias dá para enxergar.

O método da semana, em três passos

1. No dia do pagamento, o fixo sai primeiro

Assim que o salário cair, pague tudo o que tem dia e valor certo: moradia, água, luz, gás, internet, parcelas, escola. E separe a parte da reserva, mesmo que pequena. Isso é o "da casa". Não entra na conta da semana.

2. O que sobrou vira o variável do mês

O que ficou depois do passo 1 é o dinheiro para o que não tem dia certo: mercado do dia a dia, transporte, farmácia, lazer, imprevistos pequenos.

3. Divida o variável pelas semanas

Conte quantas semanas faltam até o próximo salário. Geralmente quatro, às vezes cinco. Divida o variável por esse número. Esse é o valor da semana.

Toda segunda-feira, só esse valor fica disponível. O jeito mais simples de fazer isso funcionar é separar o variável numa conta ou caixinha e transferir o valor da semana para a conta de uso toda segunda.

O que muda na prática

  • Você passa a saber, toda segunda, quanto tem. Não para o mês, que é abstrato. Para a semana, que é concreta.
  • Estourar fica barato. Se a semana acabar na quinta, a próxima começa com um pouco menos. Ninguém vai ao cheque especial por causa de uma quinta-feira.
  • A sobra aparece. Em semanas boas, sobra. Essa sobra vai para a reserva ou para a dívida mais cara. Antes, ela sumia no mês.

Para quem recebe em duas vezes

Se o salário vem em adiantamento e pagamento, o método é o mesmo, com uma diferença: o fixo sai da parcela maior e o variável de cada quinzena é dividido pelas semanas da quinzena. O importante é que cada segunda-feira tenha um número.

O que seu Antônio descobriu

Quando fez a conta, o variável do seu Antônio dava 220 reais por semana. Ele achou pouco. Na primeira semana, estourou na quarta. Na segunda, chegou no domingo. Na terceira, sobraram 40. Pela primeira vez em anos, o dia 20 passou sem o saldo encostar no limite.

Não mudou o salário. Mudou o ritmo.

Um passo possível ainda hoje

Calcule o seu valor da semana e escreva. Na próxima segunda-feira, transfira só esse valor para a conta que você usa no dia a dia. Uma semana. Depois você decide se continua.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam sobre isso

Por que o salário acaba antes do fim do mês mesmo sem gasto grande?

Porque o salário chega de uma vez e o gasto acontece aos poucos. Nos primeiros dias parece que tem dinheiro, e as pequenas saídas correm soltas. Quando as contas do fim do mês chegam, a sobra já foi. O problema é de ritmo, não necessariamente de valor.

Como dividir o salário por semana?

No dia do pagamento, pague primeiro tudo o que é fixo e separe a parte guardada. O que sobrar, divida pelo número de semanas até o próximo salário. Esse é o seu valor semanal para o variável: mercado pequeno, transporte, lazer. Toda segunda-feira, só esse valor fica disponível.

E se eu estourar o valor da semana?

A semana seguinte começa com menos, e só. Não se compensa com cartão nem com limite. Estourar uma semana é um aviso barato; estourar o mês com o cheque especial é um aviso caro.

Retrato de Kamylla Brito

Quem escreveu

Kamylla Brito

Sócia-fundadora da Lume Educação Financeira

Kamylla Brito é sócia-fundadora da Lume Educação Financeira. Assumiu o setor financeiro de uma empresa aos 19 anos e passou mais de doze anos em finanças corporativas, no agronegócio e no varejo, antes de dedicar-se à educação financeira. Na Lume, cuida dos conteúdos, das palestras em empresas e do quadro Finanças na Prática na Rádio União 104,9.

Sobre a Lume

A Lume Educação Financeira é uma empresa brasileira de educação financeira criada por Karollyne Brito e Kamylla Brito. Ela ensina pessoas e pequenas empresas a organizar as finanças a partir de um método simples, em três movimentos: organizar (ver o que entra, o que sai e o que se deve), estancar (parar de usar o limite e cortar o que escapa) e recomeçar (um plano com o próximo passo possível). Os materiais vêm prontos para preencher, com videoaula, e o preço é acessível. A Lume não vende investimentos, não promete enriquecimento e não faz assessoria de nenhum tipo: ela ensina.

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